Amigos do Sopão: A Transfiguração por Frater Rodinei Eiselt, scj
13 de maio de 2014 zweiarts

Amigos do Sopão: A Transfiguração por Frater Rodinei Eiselt, scj

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Amigos do Sopão: A Transfiguração

“Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E foi transfigurado diante deles; e o seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz. Nisto apareceram-lhe Moisés e Elias, conversando com Jesus” (Mt 17, 1-3).

À véspera da transfiguração, num sábado à noite, com a costumeira garoa paulistana, como de costume, os Amigos do Sopão saíram com vários carros, abarrotados de roupas e cobertores, além do jantar servido à marmitex, sendo oferecido também aos moradores de rua, suco de frutas ou chocolate quente.

A equipe de voluntários Amigos do Sopão existe há quase cinco anos (fundada em 13 de maio de 2006). Funciona como um braço estendido da Paróquia-Santuário São Judas Tadeu, no Jabaquara, aos moradores de rua da cidade de São Paulo. Este braço é santo e forte: como não é um membro isolado, mas tenazmente unido ao Corpo, que é a Igreja, aonde vai leva consigo a espiritualidade de seu Corpo. Também tem fundamento forte, porque está ligado ao Corpo está ligado à cabeça, que é o próprio Senhor. O braço oferece o que tem o Corpo: em primeiro lugar “a esperança – que não decepciona” (Rm 5,5), um olhar de acolhida e valorização da vida. O braço estendido é um auxilio necessário para muitos moradores de rua levantarem-se, saírem dos poucos lugares onde lhes parece possível ficar, enquanto não encontram lugar melhor: em baixo de viadutos, ao limiar das lojas e encostas, cobertos pelo relento e desanimo. O braço estendido levanta, dá alimento, sorri e se pronuncia.

Lembra a todos que, não obstante os sofrimentos – próprios da condição humana -, todos somos chamados a dar a volta por cima, a nos recuperarmos de qualquer crise: o importante é não desanimar! Ninguém foi feito para sofrer. O Criador, em sua insondável bondade nos chamou, por puro ato de amor, à vida. Dele partimos e a Ele retornaremos. Nosso fim último é o próprio Deus e, enquanto somos terrenos, somos chamados à salvação, isto é, à vida bem vivida em todas as suas dimensões: humana, física, afetiva, espiritual. Desenvolver as capacidades dadas gratuitamente pelo criador é tarefa de cada um.

Se por ora passamos por momentos menos bons, devemos ter presente que a esperança fundamenta nossa vida, porque está fundada no próprio Deus. A parte mais difícil de um plano é começar. Aceitar que é possível vencer e “não desanimar, nunca. Embora venham ventos contrários” (Santa Paulina).

Assim, os Amigos do Sopão não levam tudo, nem têm esta pretensão, mas fazem o que podem à medida que lhes é dado fazer, mediante suas possibilidades. Esse grupo que começou há quase cinco anos, timidamente, hoje conta com mais de uma centena de membros: voluntários que preparam os alimentos; organizam os agasalhos e cobertores; que distribuem-nos entre os necessitados; sem contar, claro, com aqueles que, “apenas” vão para conversar, partilhar a vida e os ouvir, para dar e receber sorrisos, um aperto de mão, um abraço, um beijo.

O que neste artigo dissemos é apenas um pouquinho do muito que este grupo faz, entre os inúmeros grupos de assistência social do Santuário São Judas Tadeu. Se você, caro leitor, quer ajudar-nos, seja bem vindo! Reze por nós, e farás muito bem. Se queres, além disso, recebemos doações na secretaria paroquial do Santuário São Judas Tadeu, localizado na Avenida Jabaquara, no. 2.682. Se queres dar mais, seja bem vindo também na preparação do alimento, que é iniciado, sempre aos sábados, às 13h, na Alameda dos Guaiós, 40, à cerca de 200 metros do Santuário São Judas Tadeu.

“Então Pedro tomou a palavra e disse: “Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra. E da nuvem uma voz dizia: Este é o meu Filho amado, Escutai-o!” Quando ouviram isto, os discípulos ficaram muito assustados e caíram com o rosto em terra. Jesus se aproximou, tocou neles e disse: “Levantai-vos e não tenhais medo”.

Os discípulos ergueram os olhos e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. Quando desciam da montanha, Jesus ordenou-lhes: “não conteis a ninguém esta visão até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos” (Mt 17, 4-9).

E os Amigos do Sopão compreenderam a mensagem de Jesus: adoraram-no e, em seguida desceram a montanha e foram aos pobres, afinal: “tive fome e me deste de comer, tive sede e me destes de beber” (Mt 25, 35): é o lema do grupo.

Frater Rodinei Eiselt, scj